O formato tem muitos nomes. Em inglês, situation puzzles, lateral thinking puzzles ou yes/no riddles. Em alemão, Black Stories, o jogo de cartas que popularizou o gênero na Europa e chegou ao Brasil com o mesmo nome. Em russo, danetki, de da e net, sim e não. O princípio é sempre o mesmo: uma situação estranha, um mestre que sabe a resposta, e jogadores que só podem fazer perguntas fechadas.
De onde vêm
Os enigmas mais antigos são folclore. Ninguém sabe quem inventou o homem do elevador ou o barman que aponta a arma; eles circulam em livros de charadas desde a primeira metade do século XX e passaram de boca em boca em acampamentos, viagens de ônibus e mesas de bar. Na década de 1990, uma série de livros americanos organizou centenas deles. Nos anos 2000, o Black Stories transformou o formato em produto, com cartas ilustradas e um tom mais sombrio.
Os casos clássicos deste site vêm dessa tradição. Nós os reescrevemos do zero, em três níveis de inglês, e cortamos o sangue: morte pode aparecer, gore não. Os casos de negócios, cotidiano, tecnologia e viagem são nossos.
Por que a lógica lateral
O termo lateral thinking é de Edward de Bono. A ideia é simples: alguns problemas não se resolvem indo em frente, só saindo do trilho. O enigma do cirurgião existe para isso. I can't operate on this boy, he is my son, diz o cirurgião de um menino cujo pai acabou de morrer. Quem trava, trava porque imaginou um homem. A solução está na suposição, não nos fatos.
Jogar bem é aprender a perguntar sobre as próprias suposições. É uma habilidade que serve para muito além do jogo, e é a mesma que um executivo usa quando destrincha um caso de negócio. Não por acaso, o SMX, a experiência de gestão estratégica da Lingualize, é construído sobre decisões em casos reais: o participante precisa perguntar antes de decidir, e em inglês.
O que muda quando você joga em inglês
Três coisas. A primeira é a quantidade de perguntas. Em uma partida de quinze minutos, um jogador faz de vinte a trinta perguntas fechadas. É mais do que um aluno médio produz em um mês de aula tradicional, onde quem pergunta é o professor.
A segunda é a estrutura. A pergunta fechada em inglês inverte a ordem e exige um auxiliar: Did he know her?, Was the door locked?, Could anyone see it?. É exatamente o ponto em que o brasileiro tropeça, porque em português a pergunta é a afirmação com entonação. O jogo obriga a usar a estrutura certa dezenas de vezes seguidas, sem parecer exercício.
A terceira é a leitura. A situação é curta, mas precisa ser lida com precisão, porque cada palavra pode ser uma pista ou uma armadilha. É leitura ativa, do tipo que também se treina com textos maiores: o Literatura em Inglês faz isso com Sherlock Holmes e outros clássicos em três níveis, com narração e tradução ao toque, e a lógica é a mesma. Ler para descobrir, não para cumprir tabela.
Onde este site entra
Os sites de situation puzzles em inglês existem há anos, mas foram feitos para quem já fala a língua. Aqui a base é o português: título, contexto, tradução de qualquer palavra ao toque, e um mestre que entende a sua pergunta mesmo quando ela sai torta, e mostra como um nativo diria. É o formato antigo com uma camada pensada para brasileiro.
Os dois casos abaixo são bons exemplos da tradição: um de suposição, um de linguagem.